A gente costuma achar que o perigo mora no fracasso. Mas, como Rony Meisler lembrou numa edição recente da sua newsletter, o problema da vaidade e do sucesso não aparece quando você erra — ele aparece quando você acerta. Porque aí você fica tão convicto do que funciona que para de prestar atenção em tudo que pode estar mudando ao redor.
O mecanismo é mais traiçoeiro do que parece
Quando você descobre que algo funciona — uma estratégia que bombou, uma habilidade que abriu portas —, seu cérebro faz o mais natural: manda repetir. E você repete. Funciona de novo. Vira hábito, você fica cada vez melhor naquilo. Até aqui, ótimo. O problema é o que você para de fazer enquanto se especializa no que já dá certo: para de testar coisas novas, de se desafiar fora da zona de conforto, de ouvir os sinais de que o mundo está mudando. Afinal, pra que mexer no que está funcionando?
E aí o mundo muda. Devagar, devagar — e de repente, brutal.
A pesquisa que explica isso
O pesquisador americano James G. March passou décadas estudando como empresas e pessoas aprendem e decidem. Ele mostrou que todos vivem num conflito permanente entre duas forças: aproveitar o que já funciona (o que dá resultado agora, é previsível e paga as contas) e explorar o que pode funcionar amanhã (incerto, caro, lento, e que só dá retorno lá na frente, se der).
O detalhe cruel: o curto prazo paga mais rápido que o longo prazo. Então todo sistema — empresa, pessoa, carreira — vai naturalmente se especializando no que já dá certo e deixando de se renovar. Nas palavras que Rony destaca, isso transforma as pessoas mais talentosas e as empresas mais bem-sucedidas em máquinas perfeitamente ajustadas para um mundo que deixou de existir.
É como ficar excelente em digitar rápido com dois dedos, cada vez mais veloz — enquanto todo mundo passou a usar voz e IA, num mundo que não está mais esperando velocidade de digitação.
Quem é o mais vulnerável
A grande lição: a pessoa mais perigosamente vulnerável não é a que está passando sufoco. É a que está indo muito bem e parou de questionar por quê. O mecanismo se disfarça de inteligência — você não para de explorar por preguiça, para porque está funcionando, e tudo ao redor confirma que você está certo. O fracasso te obriga a mudar; o sucesso te convida a ficar onde está.
A pergunta que vale ouro
Fica o desafio que Rony deixa: o que você está explorando hoje — de diferente, de novo, de incerto — que vai garantir que você ainda seja relevante daqui a cinco anos? Ou você está tão ocupado sendo bom no que já funciona que nem fez essa pergunta?
Onde a tecnologia entra
É exatamente aqui que a IA e a automação deixam de ser “moda” e viram sobrevivência. O jeito de trabalhar que garantiu seus resultados até hoje pode ser o mesmo que vai te deixar para trás. Explorar o novo não precisa ser um salto no escuro: dá para testar um chatbot que atende sozinho, um conteúdo que atrai clientes de graça, um processo automatizado — pequenos experimentos, baratos, que mantêm o seu negócio em movimento enquanto o mundo muda. Ficar parado no que funciona é o único risco garantido.
Post inspirado numa edição da newsletter Email do Rony, de Rony Meisler (fundador da Reserva), que trouxe as ideias do pesquisador James G. March. Vale ler na fonte: businessofbrandspost.substack.com.


