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STEP e IGES na web: como levar o projeto de CAD para o navegador e a realidade aumentada

Nenhum navegador abre um arquivo STEP. Para o projeto sair do CAD e virar algo que o cliente gira no celular, ele precisa virar GLB — e é aí que a peça engorda, perde a cor ou vira um bloco cinza. O caminho medido numa montagem real de 45,6 MB.

19 de agosto de 2026 · Agência Primeira Página

STEP e IGES na web: como levar o projeto de CAD para o navegador e a realidade aumentada

Nenhum navegador abre um arquivo STEP. Nem o Chrome, nem o celular do seu cliente, nem o visualizador de realidade aumentada. Para o projeto sair do CAD e virar algo que qualquer pessoa gira na tela do telefone, ele precisa ser convertido em GLB — e é nessa conversão que a peça costuma engordar, perder a cor ou virar um bloco cinza irreconhecível.

Este guia é o caminho que usamos numa montagem industrial real de 45,6 MB, exportada do Creo Parametric, com os números medidos em cada etapa.

Por que o STEP não abre no navegador

A diferença não é de formato, é de natureza. Um arquivo de CAD como STEP (.stp) ou IGES guarda a peça como geometria matemática: superfícies, curvas, raios de arredondamento. É por isso que você consegue mudar uma cota e a peça inteira se ajusta.

Já a web trabalha com malha: triângulos. O navegador não resolve equação de superfície, ele desenha triângulo. Converter CAD para a web, portanto, não é "salvar como" — é tesselar, ou seja, decidir em quantos triângulos cada superfície curva vai ser fatiada. Essa decisão é o que separa um modelo que abre no celular de um que trava o aparelho.

A tolerância é o botão que ninguém mostra

Todo conversor de CAD tem dois parâmetros que quase nenhuma interface expõe: a tolerância linear (o quanto a malha pode se afastar da superfície original) e a tolerância angular (o quanto ela pode "quebrar" numa curva).

  • Apertadas demais: a fidelidade é perfeita e o arquivo sai com milhões de triângulos — bonito no computador do engenheiro, impossível no celular do comprador.
  • Largas demais: o arquivo fica leve e o cilindro vira um prisma facetado. Em peça usinada isso salta aos olhos.

Na montagem que convertemos, uma tolerância linear de 0,1 e angular de 0,5 deu o equilíbrio: 45,6 MB de STEP viraram 17,1 MB de GLB em 31 segundos, com 427 peças e cerca de 490 mil vértices preservados. Não existe número universal — existe testar dois valores e olhar a peça mais curva do conjunto.

O que você perde no caminho: a aparência

Esta é a surpresa que derruba a maioria dos projetos. Abrimos o GLB convertido e ele veio com 427 peças e zero materiais. Nenhum erro de conversão: a cor bonita que você vê no Creo, no SolidWorks ou no Inventor é do visualizador, não do arquivo. O STEP carrega geometria, não aparência.

O resultado é o modelo cinza uniforme, em que ninguém identifica o que é alumínio, o que é acrílico e o que é cabo. E aqui está o atalho que economiza dias de trabalho: os nomes das peças dizem o que elas são. Numa montagem de eletrônica, os nomes traziam a placa com LED, o acrílico da janela, a guia de luz, o cabo AC de 16 AWG, o pad térmico. Dá para atribuir material por padrão de nome e resolver uma montagem inteira com sete materiais, em vez de pintar 427 peças à mão.

Uma ressalva que vale ouro: use apenas materiais metallic-roughness simples. Material antigo do tipo specular-glossiness e textura em WebP fazem o modelo aparecer branco na realidade aumentada — o motivo completo está em GLB, OBJ, FBX ou STL: qual formato 3D usar.

Peso: de 45 MB para 1,7 MB sem perder a peça

Os 17,1 MB da conversão ainda são muito para quem vai abrir no 4G. A compressão de malha resolve: com Draco, o mesmo modelo desceu para 1,7 MB — e a compressão Draco é lida normalmente pela realidade aumentada do Android e do iPhone, inclusive com animação.

Uma armadilha real: os otimizadores de linha de comando costumam agrupar materiais numa paleta única para economizar chamadas de desenho. Quando isso acontece, todas as cores viram branco metálico e você só descobre olhando os materiais do modelo carregado. Se o seu modelo saiu branco depois de "otimizado", suspeite disso antes de refazer a conversão.

Converter no navegador ou no servidor?

Testamos as duas rotas com o mesmo arquivo de 45,6 MB. No navegador, usando WebAssembly, a conversão é possível — e é lenta:

  • No servidor: 31 segundos.
  • No navegador: 239 segundos (praticamente 4 minutos), com 179 MB de memória e a página travada durante o processo.

Daí a regra que adotamos e que vale para qualquer fluxo: malha (STL, OBJ, FBX, DAE, PLY) converte no navegador, onde é rápido e o arquivo nem precisa sair do computador da pessoa; CAD (STEP, IGES) converte no servidor, porque 31 segundos contra 4 minutos decide se o cliente espera ou desiste.

Escala e montagem: confira antes de mostrar

Arquivos STEP costumam vir em metros, e é essa unidade que evita a peça aparecer do tamanho de um prédio quando abre no celular. Confira as dimensões do modelo convertido contra a cota do projeto antes de enviar para alguém — leva um minuto e evita a conversa constrangedora.

Vale a mesma desconfiança com arquivos de terceiros: já recebemos um pacote em que o mesmo carro tinha uma versão em FBX correta e uma versão em DAE quebrada, com as peças espalhadas e 15 metros de comprimento onde deveriam existir 4,4. Quando a montagem parecer estranha, meça — não confie no visualizador.

Checklist antes de publicar o modelo

  1. O GLB abre no celular, não só no computador.
  2. As dimensões batem com a cota do projeto.
  3. Os materiais existem e são metallic-roughness (nada de specular-glossiness nem textura WebP).
  4. O arquivo final está em poucos megabytes, não em dezenas.
  5. As peças curvas não estão facetadas.
  6. Se for para iPhone, existe também a versão USDZ — o Android abre a partir do GLB, o iPhone não.

Onde converter e quando vale contratar

Para o teste rápido, o nosso conversor de arquivos 3D é gratuito e aceita STEP e IGES além dos formatos de malha: os arquivos de malha são processados no próprio navegador e o CAD vai para o servidor, justamente pela diferença de tempo mostrada acima.

Agora, se o objetivo é o modelo com cara de catálogo — materiais corretos, peça animada abrindo e fechando, montagem explodida, o produto girando na página ou aparecendo no espaço do cliente em realidade aumentada —, a conversão é só o primeiro passo. Esse acabamento é trabalho de modelagem e animação 3D, e é o que transforma um arquivo de engenharia numa peça de venda.

Perguntas frequentes

Dá para abrir um arquivo STEP direto no navegador?

Não. O navegador desenha malha (triângulos) e o STEP guarda geometria matemática. É preciso converter para GLB, que é o formato lido nativamente pela web e pela realidade aumentada.

Quanto tempo demora converter um STEP para GLB?

Depende de onde a conversão roda. No nosso teste com uma montagem de 45,6 MB, o servidor levou 31 segundos e o mesmo arquivo convertido dentro do navegador levou 239 segundos, com a página travada durante o processo.

Por que o modelo convertido do CAD fica todo cinza?

Porque o arquivo de CAD não carrega aparência: a cor que aparece no Creo ou no SolidWorks é do visualizador. A montagem que convertemos veio com 427 peças e nenhum material. A saída prática é atribuir materiais por padrão de nome das peças.

Qual tolerância usar na conversão?

Não existe valor universal. Tolerância apertada gera milhões de triângulos que travam o celular; tolerância larga deixa as curvas facetadas. Numa montagem industrial real, 0,1 de tolerância linear e 0,5 de angular deram um bom equilíbrio.

O modelo de CAD dá para ver em realidade aumentada?

Sim, depois de convertido para GLB e com o peso reduzido. O Android abre a partir do próprio GLB; o iPhone precisa também de uma versão em USDZ. Compressão Draco é aceita pelos dois.

Qual o tamanho máximo aceitável para um modelo na web?

Poucos megabytes. A montagem do nosso exemplo saiu de 45,6 MB de STEP para 17,1 MB de GLB e chegou a 1,7 MB com compressão Draco, que é a faixa em que o modelo abre rápido no 4G.