1 – Quem tem QI tem tudo

 

O Softbank tem utilizado sua rede de conexões e parcerias para impulsionar seus negócios. Essa semana, a WeWork fechou com a Gympass (uma de suas investidas) um acordo para fornecer 250 lugares para seus colaboradores em seu escritório em Nova York. Outras empresas como QuintoAndar e Uber também fizeram parcerias que podem ajudar a reerguer startup de escritórios compartilhados. O fundo, aliás, segue ativo aqui! Foi divulgado que o Softbank investiria 125 milhões de dólares em um aporte série B na fintech mexicana AlphaCredit. A startup oferece soluções de crédito a pequenas e médias empresas.

 

2 – A lógica do Softbank

 

A lógica do Softbank Por gerenciar o maior fundo de VC do mundo, o Softbank desperta muita curiosidade de todos que se envolvem com empreendedorismo e inovação. O pessoal do Pitch Book fez um estudo de caso para entender melhor como funciona a lógica por trás do processo de tomada de decisões do fundo.

 

3 – E o IPO da WeWork, sai ou não?

 

Quem segue mais ou menos a história do Uber é a WeWork, que, em meio ao vai-não-vai de seu IPO, também revela prejuízos milionários. Porém, aqui o problema pode ser mais embaixo, uma vez que seu valuation pode ser, na verdade, metade do que afirmam que ela “vale”

A startup foi avaliada em US$ 47 bilhões pelo SoftBank, que investiu US$ 2 bilhões desde o começo do ano, porém, no processo de realização do IPO estava considerando uma avaliação em sua oferta entre US$ 10 bilhões e US$ 12 bilhões. É um super desconto. 

The Wall Street Journal foi o primeiro a sugerir postergação do IPO para 2020 e fez uma bela análise sobre isso, que acaba de ser comprovada diante de comunicado oficial da empresa. Apesar de oficialmente adiado, ainda existe a pressão de investidores para que saia até o fim do ano. Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos. 

 

4 – Softbank pode trazer 40 startups para o Brasil

 

Mais uma do SoftBank, o grupo que, em março, anunciou um fundo de investimento de US$ 5 bilhões para investimentos em startups da América Latina. Empresas como Loggi e Rappi já se beneficiaram dos aportes. Agora, a ideia é trazer para o Brasil 40 startups que, de acordo com André Maciel, head do grupo por aqui, tem total fit com o país e alto potencial de crescimento. Lembrando que uma das investidas do grupo é a WeWork, que já atua em várias cidades brasileiras.

Sem mais detalhes, ele também adiantou que nas próximas semanas irão anunciar um grande investimento em uma empresa nacional. “O Brasil ainda tem espaço para a criação de mais unicórnios”, disse durante evento realizado no CUBO. Entre as verticais, ele destaca saúde, logística, transporte e agro. 

No último mês, em conversa com a Bloomberg, Maciel contou que o fundo mapeou 300 oportunidades de investimento na região, sendo que pelo menos 200 são no Brasil. Outra estratégia é se juntar a fundos menores , uma vez que eles não têm capilaridade para olhar transações menores. Daí, esses fundos irrigam o sistema empreendedor. 

 

5 – Mais uma vítima

 

E o SoftBank fez mais um investimento em uma startup brasileira. Desta vez, a Buser, startup que une passageiros a ônibus executivos em busca do ticket mais barato, foi a escolhida. Mesmo sem um valor divulgado, a notícia é que seria uma rodada Série B. Completaram a rodada os fundos Monashees, Valor Capital Group e Canary, além do Grupo Globo. Nos próximos meses, a startup pretende investir R$ 300 milhões em expansão.

 

6 – A nova menina dos olhos da Softbank

 

Atingindo um valuation de US$ 10 bilhões, a OYO, startup nascida na Índia, já se posiciona como uma das maiores cadeias de hotéis no mundo. Fundada em 2013 por Ritesh Agarwal, a startup já está presente em 800 cidades em 80 países. Aqui no Brasil, já são 41 estabelecimentos que ganharam a bandeira OYO. Já viu algum desses por aí?

A proposta da empresa é reformar e implementar sistemas mais modernos em hotéis bem simples em troca de uma porção da receita gerada. Eles também fornecem um pacote de “rebranding”, com lençóis e toalhas com a marca. A startup já se tornou o principal player no ramo de hospitalidade da Índia e segue a forte expansão internacional.

Nesta semana, a OYO ainda anunciou um novo aporte, no valor de US$ 1,5 bilhão, do qual US$ 700 milhões vem do próprio fundador. A movimentação é para aumentar sua participação no negócio e, por trás disso, estão “bancos e parceiros financeiros”, como foi noticiado.

Outro investidor de peso é o SoftBank que, após toda a polêmica WeWork, voltou sua atenção – e investimentos – para a OYO.

 

7 – Da TV para o ecossistema

 

Tem muita empresa grande visando diversificar os seus investimentos. Caso do Grupo Globo, da família Marinho e dona de muitos canais de mídia, que já tem algumas startups em seu portfólio de investidas.

A mais recente é a Buser, em um co-investimento com o SoftBank. Mas, além dela, o Grupo já investiu em outras como Enjoei, Órama, Rappi, Bom pra Crédito e tech.fit. Além de uma joint venture com a Stone para entrar na batalha das maquininhas. Com uma receita líquida de R$ 14,7 bilhões em 2018, parece que vem mais investimentos por aí. Provando que esse é um cenário que vem atraindo as grandes corporações. 

O formato de investimento é o chamado media for equity, onde parte do investimento é revertido em mídia.  

 

8 – Softbank no comando 

 

Após a novela do IPO e a ascensão e queda do (agora ex) CEO Adam Neumann, a WeWork é oficialmente propriedade do Softbank. O fundo anunciou que ficará com 80% de participação na empresa, após injetar mais US$ 5 bilhões em financiamento de dívidas e US$ 3 bilhões por ações de investidores antigos. Vale lembrar que, antes mesmo disso tudo, o Softbank já havia injetado mais de US$ 10 bilhões como grande investidor da empreitada

Entre eles, o próprio Neumann, que sai desse rolo recebendo ainda US$ 1,7 bilhào. O fundador da WeWork foi gentilmente convidado a se retirar, inclusive, do board da empresa e fica com um status apenas de “observador”. Muita grana no bolso, mas moral lá embaixo.

Outro efeito colateral da novela é o corte 13% da sua força de trabalho, cerca de 2 mil funcionários – além de outros cortes previstos que ainda estão por vir. Tudo isso para tentar chegar a um cenário de equilíbrio financeiro. 

Agora, quem assume o comando é Marcelo Claure, ex-CEO da Sprint, empresa de telecom adquirida pelo SoftBank em 2012, que atuará como chairman executivo. A startup do ramo imobiliário – mas que sempre se posicionou como tech para atingir valuations maiores -, um dia chegou a valer US$ 47 bilhões, mas hoje está avaliada em apenas US$ 8 bilhões. Um recorde de desvalorização de mercado. 

Quer entender toda a novela e o modelo de negócios da WeWork? O The Verge conta tudo aqui. 

 

9 – Top funding

 

Fim de ano é o momento de recapitular o que aconteceu de mais relevante e transformar em listas. Foi isso que o Crunchbase fez, levantando as startups globais com maior funding em 2019. De acordo com o banco de dados, no total, startups levantaram aportes que somam mais de US$ 163,5 bilhões em 2019. E contando, visto que ainda alguns deals estão sendo anunciados.

O site ainda rankeou as 11 startups com as maiores rodadas – todas, no caso, americanas. Um dos segmentos de maior destaque foi o de real state, com alugueis de casas e  escritórios, com a Knock, a Knotel e, claro, a The We Company.

Destaque também para os setores de logística e transporte, principalmente com tecnologias de veículos autônomos. Nessa categoria, destacaram-se a Convoy, a Aurora, a Nuro e a Flexport. Essa última, aliás, encabeça a lista, com US$ 1 bilhão de funding, tendo como principais investidores o Softbank, o DST Global e o Founders Fund. Confira a lista completa aqui! 

 

10 – Com o pé atrás

 

Em uma atitude bem peculiar, o SoftBank optou por pausar alguns investimentos em startups. Isso pode gerar algum estranhamento, dada a fama de visionários do fundo, além dos grandes valores investidos em startups nos últimos anos.

Sabemos que investir neste setor é algo que demanda bastante critério, tendo em vista os riscos e o tempo estimado que se espera o retorno (em sua maioria das vezes, gira em torno de 10  até 15 anos). O fundo tem tomado medidas mais “austeras” antes de iniciar suas rodadas de investimento, e deu o seguinte testemunho sobre suas ações:

“Dado que somos fiduciários e investimos grandes quantidades de capital, o nosso processo de investimento é mais rigoroso do que os investidores não regulados e os típicos VCs.  Houve alguns casos em que nosso processo levou mais tempo do que o previsto, o que lamentamos. Estamos sempre à frente dos fundadores sobre o que esperar e tentamos mantê-los informados a cada passo do caminho”.

 

11 –  Ele ataca novamente

 

Sim, mais uma vez o SoftBank foi o responsável por liderar um aporte bastante significativo em terras brasileiras. Ao lado da Gávea Investimentos, do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, e da Constellation Asset Manegent, o fundo japonês investiu R$ 580 milhões na VTEX, plataforma de comércio eletrônico, bastante usada por grandes varejistas nacionais.

Com 600 funcionários, sendo 200 deles contratados nos últimos 18 meses, a empresa prospera a um crescimento médio de 40% ao ano. O faturamento esperado para este ano é de R$ 250 milhões, por exemplo. Um ponto fora da curva das startups: de acordo com executivos da empresa, a VTEX sempre foi lucrativa.

O novo aporte será usado para o desenvolvimento de tecnologias, como inteligência artificial, além da expansão internacional. A empresa já conta com escritórios gringos, incluindo todos os países da América Latina. Segundo eles, 52% das vendas já são internacionais. Parabéns aos empreendedores, Geraldo Thomaz e Mariano Gomide, pela jornada!

 

12 – Softbank investe em Startup argentina

 

O SoftBank também acaba de fincar sua primeira bandeira na Argentina. O fundo investiu US$ 150 milhões na fintech Ualá ao lado da também asiática Tencent. A startup oferece uma espécie de cartão pré-pago de bandeira Mastercard, além de um app onde é possível acompanhar todas as movimentações da conta.

Apesar das funcionalidades, a empresa argentina já afirmou que não tem interesse em se tornar um banco digital mais completo, a exemplo do Nubank, que desembarcou em terras portenhas em meados deste ano.

O fundador e CEO Pierpaolo Barbieri, nascido em Buenos Aires e Harvard alumni, irá usar a rodada série C para triplicar o tamanho da empresa, contratando mais 400 colaboradores. A estratégia de crescimento também prevê novas parcerias. Além das já existentes com a Netflix, Rappi e Spotify. Por outro lado, ainda não há planos de expansão internacional. Hoje, a startup já emitiu 1,3 milhões de cartões, em um mercado potencial de 45 milhões de usuários.

 

13 – O Softbank oficializa o Latin America Hub

 

Como já falamos por aqui, o Softbank oficializou o Latin America Tech Hub, por meio do qual trará startups de seu portfólio mundial para expandirem sua atuação no Brasil. Uber e WeWork fazem parte desse portfólio, mas já atuam por aqui há anos. Em sites de vagas, já é possível ver oportunidades na OYO, a rede de hotéis, que vem chegando por aqui.

 

Textos de Pedro Weingertner

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